Pelo menos cinco dezenas países onde a vacinação já começou…
or aqui, enquanto aguardamos o Dia D e a Hora H chegarem (o que quer que isso signifique), sobra tempo pra discutir e brigar com a ciência.

Começando pela eficácia: “Mas ‘só’ isso? Eu é que não confio!”

E sobre a origem: “Vacina de comunista? Aqui não.”

E a obrigatoriedade de tomá-la também, por que não? Afinal, se o Estado não pode garantir que eu não vou virar jacaré, não pode me ordenar a cuidar da minha e da saúde de todos. Por aí tá cheio de cidadão conhecer dos seus direitos, não é mesmo?

Uma das minhas melhores leituras de 2020 foi o livro 1808, do jornalista Laurentino Gomes. Recomendo! Leiam! Por que estou citando isso agora? Você vai descobrir que o tempo passa, mas algumas mentalidades não evoluem – e cadê Darwin com a seleção natural?!?

Você sabia que toda a história do nosso país poderia ser outra, caso UMA pessoa tivesse tomado vacina?

Olha esse trecho, que está no capítulo O Império Decadente:

O sucessor imediato do trono de Portugal era o filho mais velho da Rainha Maria I, conhecida como a Rainha Louca. Mas ele morreu muito jovem, aos 27 anos. De quê? De uma doença para a qual a vacina já existia há tempos! Mas que ele não recebeu porque a família acreditava que não cabia à ciência decidir sobre a vida ou a morte, só a Deus. Quem acabou tomando as rédeas da corte foi o príncipe mais novo, Dom João. E daí a gente conhece o restante…

E essa não foi a primeira vez que a história brasileira, a vacina e uma doença (a mesma varíola, por acaso) viraram tema de discussão política.

Deixo aqui mais uma sugestão: busquem entender o que foi a Revolta da Vacina. Não, não é a atual revolta de alguns terraplanistas com o que é até aqui a nossa melhor chance de vencer a briga contra o vírus de hoje. Essa outra revolta aconteceu em 1904, no Rio de Janeiro. Vale a leitura.

Nada de novo na nossa história. Tudo se repete…