Ontem não teve jogo no Mundial de Clubes. E por não entrar em campo, o Auckland City marcou um golaço.

Começou oficialmente o Mundial de Clubes, uma das competições mais importantes do futebol mundial, em que representantes dos continentes disputam o título de Campeão do Mundo. E um dos times que faria o jogo de abertura ABRIU MÃO da sua vaga. O motivo? Obedecer às regras de segurança contra a Covid-19.

O Auckland City se garantiu nesta edição por ter vencido a Liga dos Campeões da Oceania. Há dois anos o time da Nova Zelândia não marcava presença na competição internacional. Ontem faria um jogo pré-eliminatório contra o Al Duhail, do Catar, país anfitrião. Mas, há duas semanas, o Auckland enviou um ofício à organização informando sua desistência.

O comunicado divulgado pela Fifa diz que as medidas impostas pelo governo da Nova Zelândia para conter a disseminação do coronavírus vão além das atribuições da Federação. Que não foi possível chegar-se a um acordo entre as partes.

Na Nova Zelândia, Auckland City disputa o campeonato nacional. Teria que cumprir um estrito protocolo de isolamento no retorno de uma competição internacional e isso poderia comprometer sua agenda no país, onde o combate à Covid-19 é exemplar.

Na semana passada, um estudo de um instituto independente – o Lowy Institute, da Austrália – chamou bastante atenção por aqui por colocar o Brasil na lanterna do ranking do combate à pandemia. Nós somos o país que pior tem lidado com a crise, segundo a pesquisa que comparou critérios como casos confirmados, número de mortes confirmadas e a proporcionalidade em relação à população. A Nova Zelândia ficou na outra ponta.

Na Nova Zelândia, a postura rigorosa, liderada pela primeira ministra Jacinda Ardern, foi apontada como exemplo. Tanto que lhe garantiu uma reeleição com ampla maioria dos votos no fim do ano passado. Lá, inclusive, foi possível comemorar a chegada de 2021 com grandes festas, aglomerações e abraços na virada do ano.

Claramente é muito mais fácil controlar e combater a disseminação do vírus em uma ilha. Mas, mais do que um pulso firme de um líder, é também o esforço popular em cumprir as regras que garante que um país seja capaz de lidar tão bem com uma crise sanitária. E, ao abrir mão de um calendário internacional, o Auckland City – por menores que fossem suas chances na competição – dá o exemplo, faz a sua parte.