Você já ouviu falar em ‘travel shaming’? É a nova polêmica no maravilhoso mundo das redes sociais.

Em português, seria algo como o constrangimento, ou o ato de constranger alguém que está viajando. Mas por quê? Se antes da pandemia o mundo da ostentação já vinha ardendo em críticas, imagina agora com centenas de milhares de mortos e a economia do país em frangalhos?!?

Ainda tem muita gente vivendo o roteiro viagem-restaurante-balada, como se nada estivesse acontecendo ao seu redor. A necessidade de OSTENTAR é maior que qualquer vergonha em fazê-lo. Aliás, assista a esse vídeo genial da atriz Maria Bopp e a retrospectiva de um ano de pandemia da icônica Blogueirinha do Fim do Mundo.

https://www.instagram.com/tv/CNZ_CyHhPuy/?utm_source=ig_web_copy_link

Até o verão de 2020 não tinha muito problema nenhum em encher o feed com fotos de praias paradisíacas, hotéis estrelados, restaurantes exclusivos e baladas restritíssimas. Mas agora pega mal. Pra dizer o mínimo! Até o Papa engrossou o coro do ‘travel shaming’.

http://epoca.globo.com/mundo/papa-critica-quem-fez-festas-viagens-no-fim-de-ano-24822123

Recentemente no esporte um caso ganhou os holofotes. O lateral-esquerdo Marcelo do Real Madrid e da Seleção brasileira virou notícia com essa foto:

https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2021/04/marcelo-do-real-madrid-e-notificado-em-r-18-mil-por-foto-sem-mascara.shtml

Ele foi notificado pelas autoridades locais e pode ter que pagar uma multa alta por ter descumprido as regras de circulação espanholas e posado sem máscara.

Mas, se bolso não dói tanto, no mínimo a imagem sai arranhada com seus ‘seguidores’. Um dos potenciais efeitos do ‘travel shaming’ é alimentar a cultura do CANCELAMENTO, o apedrejamento público virtual. No post autoincriminatório do jogador há uma enxurrada de questionamentos sobre sua postura.

Um outro efeito, melhor e mais poderoso, é justamente o que aconteceu no caso Marcelo: a preocupação de prefeituras e estabelecimentos turísticos com a própria reputação. Visitantes já estão à míngua com tantas restrições à circulação e a viagens. O turismo brasileiro perdeu R$ 51,5 bilhões em faturamento durante a pandemia de covid-19, entre março e novembro de 2020 segundo levantamento da Fecomércio-SP (FONTE) Números que refletem empresas fechadas, empregos perdidos. E quem deseja, a essa altura, ter seu nome atrelado a um possível surto de COVID? Pelo contrário, muitos hotéis a atrações têm se esforçado em divulgar todas as medidas de segurança e proteção contra o Coronavírus.

Não se trata de uma defesa ao fim do turismo. Nada contra a sua, a minha viagem! Torçamos para que em breve as fronteiras estejam todas desimpedidas e a economia permita a gente possa voltar a sonhar.

O turismo é um setor crucial, gera empregos e gira a imensa roda da economia. Ele vai e deve continuar vivo e pulsante. O movimento é apenas uma crítica ao turismo de ostentação em contraponto ao momento de situação precária de todo um país. O que causa maior estranheza e repulsa são posturas de descaso com o outro, desde que no meu mundinho perfeitamente editado tudo continue bem.

O bom senso existe. Basta que a gente não perca a consciência do equilíbrio da balança que equaciona todos nós no mundo. E esse sim é o maior aprendizado da pandemia.